EU SOU
UMBANDISTA!
Por Etiene Sales
Eu sou Umbandista ... Mas o que é isso? O que é ser Umbandista?
É não ter vergonha de dizer: "Eu
sou Umbandista".
ღ É não ter vergonha de ser
identificado como Umbandista.
ღ É se
dar, acima de tudo a um trabalho espiritual.
ღ É saber que um terreiro, um centro,
uma casa de Umbanda é um local espiritual e não a Religião de Umbanda em seu
todo, mas todos os terreiros, centros e casas de Umbanda, representa a Religião
de Umbanda.
ღ É saber respeitar para ser
respeitado, é saber amar para ser amado, é saber ouvir para ser escutado, é
saber dar um pouco de si para receber um pouco de Deus dentro de si.
ღ É saber que a Umbanda não faz
milagres, quem os faz é Deus e quem os recebe os
mereceu.
ღ É saber que uma casa de Umbanda não
vende nem dá salvação, mas oferece ajuda aos que querem encontrar um caminho.
ღ É ter respeito por sua casa, por seu
sacerdote e pela Religião de Umbanda como um todo: irmandade.
ღ É saber conversar com seu sacerdote e retirar suas dúvidas.
ღ É saber que nem sempre estamos
preparados ... que são necessários sacrifícios, tempo e dedicação para o
sacerdócio.
ღ É entrar em um terreiro sem ter hora
para sair ou sair do terreiro após o último consulente ser atendido.
ღ É, mesmo sem fumar e beber, dar
liberdade aos meus guias para que eles utilizem esses materiais para ajudar ao
próximo, confiando que me deixem sempre bem após as sessões.
ღ É me dar ao meu Orixá para que ele me possua com sua força e me deixe um
pouco dessa força para que eu possa
viver meu dia-a-dia, numa luta constante em benefício dos que precisam de
auxílio espiritual.
ღ É sofrer por não negar o que sou
Umbandista), e ser o que sou com dignidade, com amor e dedicação.
ღ É ser chamado de atrasado, de sujo, de ignorante, conservador, alienígina,
louco ... e, ainda assim, amar minha religião e defendê-la com todo carinho e
amor que ela merece. ღÉ ser
ofendido física, espiritual e moralmente, mas, mesmo assim, continuar amando
minha Umbanda.
ღ É ser chamado
de adorador do Diabo, de Satanás, de servo dos Encostos, e, mesmo assim,
levantar a cabeça, sorrir e seguir em frente com dignidade.
ღ É ser Umbandista e pedindo sempre a
Zamby para que eu nunca esteja Umbandista.
ღ É acreditar, mesmo nos piores momentos, com a pior das doenças, estando um caco
espiritual e material, que os Orixás e os guias, mesmo que não possam nos tirar
dessas situações, estarão ali, ao nosso lado, momento a momento nos dando força
e coragem; ser Umbandista é, acima de tudo, acreditar nos Orixás e nos guias,
pois eles representam a essência e a pureza de Deus.
ღ É dizer sim, onde os outros dizem
não!
ღ É saber respeitar o que o outro faz
como Umbanda, mesmo que seja diferente da nossa, mas sabendo que existe um
propósito no que ambos estão fazendo.
ღ É vestir o branco sem vaidade. ღ É alguém
que você nunca viu te agradecer porque um dos seus guias a ajudou, e não ter orgulho.
ღ É colocar suas guias e sentir o peso
de uma responsabilidade, onde muitos possam ver ostentação.
ღ É chorar, sorrir, andar, respirar e viver dentro de uma
religião sem querer nada em troca.
ღ É ter vergonha de pedir aos Orixás
por você, mas não ter vergonha de pedir pelos outros.
ღ É não ter vergonha de levar uma
oferenda em uma praia ou mata, nem ter vergonha
de exercer a nossa religiosidade diante dos outros.
ღ É estar sempre pronto para servir a
espiritualidade, seja no terreiro, seja numa encruza, seja na calunga, seja no
cemitério, seja na macaia, seja nos caminhos ... seja em qualquer lugar onde nosso trabalho seja necessário.
ღ É se alegrar por saber que a Umbanda
é uma religião maravilhosa, mas também sofrer porque os Umbandistas ainda são
tão preconceituosos uns com os outros.
ღ É ficar
incorporado 5, 6 horas em cada uma das giras, sentindo seu corpo moído e ao
mesmo tempo sentir a satisfação e o bem estar por mais um dia de trabalho.
ღ É sentir a força do zoar dos
atabaques, sua vibração, sua importância, sua ação, sua força dentro de uma gira e no trabalho espiritual.
ღ É arriar a oferenda para o Orixá e
receber seu Axé.
ღ É ver um consulente entrar no
terreiro chorando e vê-lo mais tarde sair do terreiro sorrindo.
ღ É ter esperança que um dia, nós
Umbandistas, acharemos a receita do
respeito mútuo.
ღ É ser Umbandista mesmo que outros digam que o que você faz, sua prática,
sua fé, sua doutrina, seu acreditar, sua dedicação, seu suor, suas lágrimas e
sacrifício, não sejam Umbanda.
ღ É saber que existe vaidade mesmo
quando alguém diz que não têm vaidade: vaidade de não
ter vaidade.
ღ É saber o que significa a Umbanda não
para você, mas para todos.
ღ É saber que as palavras somente não
bastam. Deve haver atitude junto com as palavras: falar e fazer, pensar e ser,
ser e nunca estar...
ღ É saber que a Umbanda não vê cor, não
vê raça, não vê status social, não vê poder econômico, não vê credo. Só vê
ajuda, caridade, luta, justiça, cura, lágrimas, aflição, alívio, raiva, amor,
mau e bom, mal e bem ... os problemas, as necessidades e a ajuda para
solucionar os problemas de quem a procura.
ღ É saber que a Umbanda é livre; não
tem dono, não tem Papa, mas está aí para ajudar e servir a todos que a
procuram.
ღÉ saber que você não escolheu a
Umbanda, mas que a Umbanda escolheu você.
ღÉ amar com todas as forças essa Religião maravilhosa chamada
Umbanda.




